Como escrever uma descrição de vaga que atrai os candidatos certos
Aprenda a escrever uma descrição de vaga clara e eficaz: título, responsabilidades, requisitos must-have, linguagem inclusiva e salário. Guia prático para PME.
A descrição de vaga é a primeira conversa que tem com um candidato — e, muitas vezes, a única oportunidade de o convencer a candidatar-se. Um anúncio vago atrai dezenas de candidaturas desalinhadas e afasta os perfis certos, que não se reveem naquilo que leem. Escrever bem esta peça não é um exercício de estilo: é o que determina a qualidade da sua base de candidatos antes de sequer olhar para o primeiro currículo.
Neste guia percorremos a estrutura de uma descrição de vaga eficaz, secção a secção, com foco no que realmente funciona para pequenas e médias empresas em Portugal. O objetivo é simples: atrair quem interessa, filtrar quem não encaixa e poupar horas de triagem à sua equipa.
Comece por um título claro, não criativo
O título é o que aparece nos resultados de pesquisa e nos portais de emprego. É aqui que a maioria dos candidatos decide se clica ou não. Resista à tentação de inventar cargos originais como "Ninja de Vendas" ou "Guru de Marketing": ninguém pesquisa esses termos e o seu anúncio fica invisível.
Use o cargo pelo qual a função é realmente conhecida no mercado. Se ajudar a contextualizar, acrescente o nível de senioridade e, quando fizer sentido, o regime de trabalho.
- Prefira "Gestor de Recursos Humanos (Sénior)" a "Herói de Pessoas".
- Indique o formato quando é diferenciador: "Programador Back-end (100% remoto)".
- Evite siglas internas que só a sua empresa entende.
Descreva responsabilidades reais, não uma lista de desejos
A secção de responsabilidades deve responder a uma pergunta que todos os candidatos fazem: "Como serão os meus dias nesta função?" Seja concreto. Em vez de "gerir processos", escreva "conduzir o processo de recrutamento de ponta a ponta, desde a publicação da vaga até à proposta final".
Cinco a oito responsabilidades bem escritas dizem mais do que uma lista interminável de vinte pontos genéricos. Foque-se no que a pessoa vai realmente fazer no dia a dia e no impacto esperado nos primeiros meses.
Separe requisitos must-have de nice-to-have
Esta é a distinção que mais influencia a qualidade das candidaturas — e a que mais empresas ignoram. Quando junta tudo numa só lista de "requisitos", transmite que precisa de todos eles, e os candidatos competentes que cumprem 70% simplesmente não se candidatam.
Must-have: o que é inegociável
Inclua apenas aquilo sem o qual a pessoa não consegue desempenhar a função. Se hesitar se um requisito é mesmo essencial, provavelmente é um nice-to-have. Mantenha esta lista curta e honesta.
Nice-to-have: o que soma pontos
Aqui entram as competências que facilitam a integração ou que valoriza, mas que a pessoa certa pode adquirir. Separá-las abre a porta a candidatos com potencial que de outra forma se autoexcluiriam.
Cada requisito a mais na lista de must-have é um bom candidato a menos na sua caixa de entrada.
Escreva com linguagem inclusiva e acessível
A forma como escreve determina quem se sente convidado a candidatar-se. Termos excessivamente competitivos ou pressupostos de género reduzem a diversidade da sua base de candidatos sem que se aperceba. O objetivo é que qualquer pessoa qualificada leia o anúncio e pense "isto é para mim".
- Use formulações neutras: "a pessoa contratada" em vez de assumir o género.
- Evite jargão interno e siglas não explicadas.
- Prefira frases curtas e diretas a parágrafos densos.
- Reveja adjetivos que possam desencorajar: nem todos se identificam com "agressivo" ou "dominante".
Fale de salário e benefícios sem rodeios
Omitir o salário continua a ser a norma em muitas empresas portuguesas, mas é também uma das principais causas de candidaturas desalinhadas e de processos que terminam mal na fase de proposta. Indicar uma faixa salarial poupa tempo a todos e sinaliza transparência — um fator cada vez mais valorizado.
Se ainda não consegue publicar valores, seja pelo menos concreto nos benefícios: regime de trabalho, dias de férias, formação, seguro de saúde ou flexibilidade horária. Estes detalhes diferenciam o seu anúncio de dezenas de outros idênticos.
Uma boa descrição de vaga é um filtro que trabalha por si: atrai os perfis certos, afasta os que não encaixam e prepara o terreno para uma triagem mais rápida e justa. Invista tempo nela e todo o processo que se segue fica mais leve. E quando as candidaturas começarem a chegar, garanta que a análise dos currículos é tão rigorosa quanto o anúncio que os atraiu.